Histeria na antiguidade - História da Histeria

Por Ale Esclapes1
A história da Histeria no ocidente começa no Antigo Egito mais ou menos 1900 antes de Cristo. Nessa época foi escrito um papiro onde se relatava uma série de sintomas um tanto curiosos em mulheres. A causa seria o movimento desgovernado do útero, que era considerado um animal, que vagava pelo hipocôndrio.
Hipócrates (460 - 360 a. C.) É considerado o pai da Medicina Ocidental, bebeu na mesma fonte, e nos legou uma série de sintomas pelo que ele denominava - sufocação da matriz, dentre eles: Perda da palavra; Sufocação; Resfriamento das pernas; Dores de cabeça; Vômitos; Ansiedade; Saliva fluía pela boca como na epilepsia.
A terapêutica incluía - Prevenção: Casamento; Sexo; Gravidez.
Perfumes na vagina introduzido por um chumaço de tecido e odor fétido nas narinas.
Soranos de Éfeso (Séculos I/II d.C.) Segundo esse autor a mulher engravida em função do seu desejo e ele não considerava que o útero era um animal.
Ele acrescenta dois sintomas aos já descritos: 1) fala de forma delirante e 2) o doente consegue se lembrar do que se passou (diferente da epilepsia).
Terapêutica: Descanso, aquecimento dos membros, viagens, águas termais.
- Rejeita-se a terapêutica hipocrática pois piora a inflamação.
Cláudio Galeno (129-199 d.C.) Três formas de histeria: 1) A pessoa fica privada de sentimentos e movimentos com pulsação fraca; 2) A mulher desmaia sem nenhuma outra alteração e 3) Os membros se contraem.
A causa da histeria para Galeno seria a retenção da semente feminina. Pode ser causada pela falta de sexo OU/E a predisposição da mulher. E como ocorre a retenção da semente que afeta todo o corpo? Ele vai utilizar a teoria dos humores e uma teoria neurológica.
A semente do homem também pode ser retida e nele causam sintomas depressivos e funcionais: anorexia, digestão difícil - depois chamada de hipocondria.
Ele também não considerava o útero um animal.
Resumindo: A histeria é uma doença ligada a sexualidade! A falta de sexo é a sua maior causa.
¹Psicanalista, professor, escritor e diretor da Escola Paulista de Psicanálise-EPP e do Instituto Melanie Klein-IMK. Autor do Livro "A pobreza do Analista e outros trabalhos 1997-2015" e organizador da Coleção Transformações & Invariâncias.
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