Concepção e realização

Por Ale Esclapes1
Nesta série de postagens sobre conceitos iniciais, exploraremos um pouco o que é concepção e sua relação com o conceito de realização. Se você acompanhou a postagem passada sobre o que é pré-concepção, fica fácil entender o que é concepção. Imagine que eu marco com um amigo, amiga ou amigos em um determinado horário em um determinado local.
Eu portanto, tenho expectativa de um encontro, de uma conversa. Quando o bebê encontra o seio materno pela primeira vez, aquilo que era uma expectativa de encontro, se “realiza”.
Quando essa expectativa difusa se encontra com algo que se aproxime de uma satisfação na realidade, ela se torna uma “concepção”. A esse esse encontro nós chamamos de “realização”.
Uma questão importante é que nenhuma realização pode suprir toda a expectativa, todo o anseio que existia. Isso implica uma dupla imprecisão: primeiro nenhuma expectativa encontra plenamente na realidade sua contrapartida, e portanto, todos os conceitos são falhos em apreender a realidade em sua totalidade. Esse fato traz algumas consequências.
Primeiro nossa “teoria psicanalítica” (na verdade nenhuma teoria) vai corresponder à realidade. Segundo nós não conhecemos nosso paciente, nem nunca vamos conhecê-lo. Isso implica que o psicanalista está sempre à deriva. As vezes nos defendemos dessa situação idealizando nossa teoria, as vezes achando que conhecemos nosso paciente. E você, o que faz quando “não sabe” o que está acontecendo na sala de análise, quando se depara com esse “desconhecido”? Deixa aí nos comentários e vamos trocar um pouco de experiências.
¹Psicanalista, professor, escritor e diretor da Escola Paulista de Psicanálise-EPP e do Instituto Melanie Klein-IMK. Autor do Livro "A pobreza do Analista e outros trabalhos 1997-2015" e organizador da Coleção Transformações & Invariâncias.
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