A histeria nos tribunais da Inquisição

Por Ale Esclapes¹

A histeria vai desaparecer juntamente com o Império Romano retornando somente no final da Idade Média. Surgem diversos curandeiros e o Clero passa a exercer a medicina. Nos séculos XII e XIII diversos concílios proíbem  os clérigos de exercerem a medicina. Cria-se causas e condições para o ressurgimento da medicina.

Em qual cenário vai se dar o ressurgimento da histeria? Do tribunal da inquisição. Nessa época médicos e clérigos começaram uma longa discussão para saber se o que eles tinham diante de si era uma possessão ou um caso de histeria pública.

Johann Weyer (1515 - 1588) - no livro "Da impostura dos diabos" defende a doença mental como causa dos casos de bruxaria. Para ele não ir para a fogueira junto com as mulheres ele não nega o Diabo, mas diz que ele se aproveita da doença mental. Um julgamento nessa época não era fácil, pois se percebeu que na histeria existia uma imitação da possessão. E como distinguir a verdadeira possessão da falsa?

O grande problema é que o Diabo engana! Ele engana os médicos! Engana os religiosos! Ele pode enganar os juízes!

Para Thomas Sydenham (1624 - 1689) a histeria não é uma doença como as outras - ela imita as outras doenças. (Seria uma doença diabólica?)

E qual o ponto central até aqui? É que a histeria é uma doença que imita - o diabo, outras doenças, etc… Ela está em um jogo simbólico com o meio ambiente, ela não é como outras doenças que evoluem independente do meio social no sentido cultural e simbólico.

Quando o clínico não leva em consideração esse fator, sua pesquisa e seu trabalho podem ser muito prejudicados. Vamos ver mais para frente o quanto custou a Charcot não levar isso em consideração.

 

 

¹Psicanalista, professor, escritor e diretor da Escola Paulista de Psicanálise-EPP e do Instituto Melanie Klein-IMK. Autor do Livro "A pobreza do Analista e outros trabalhos 1997-2015" e organizador da Coleção Transformações & Invariâncias. 

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