Modelos em psicanálise

Por Ale Esclapes¹

Nessa postagem da série conceitos iniciais vou explorar um pouco o que são modelos em psicanálise e sua importância clínica. Existe um pequeno ensinamento budista que nos diz: não carregue a canoa depois de atravessar o rio. Qual o símbolo da canoa aqui? Pode ser de algo que um dia nós precisamos fazer, uma defesa frente a um perigo, um sentimento de raiva diante de algo, etc… O rio por sua vez é a situação no qual precisávamos de uma canoa.

E agora podemos começar a pensar: quantas pessoas ainda carregam suas canoas sem nenhuma necessidade, ou seja, em terra firme? Será que elas esperam um dia precisar da canoa? Mas será que o rio continuará sendo o mesmo? Outro dia eu visitei o bairro onde eu cresci e apesar de tudo estar quase como antes, não era mais a mesma coisa. O rio tinha mudado, eu havia mudado.

Esse é um exemplo do que é um “modelo”: é um mito, uma história ou uma analogia que nos ajuda a pensar a vida,  a situação clínica, etc … Um modelo nunca pode ser diretamente comparado a realidade, pois ele não foi construído para ser uma explicação da realidade como a ciência. Um modelo está mais próximo dos grandes mitos, das estórias que são passadas de geração em geração … Um modelo portanto, é sempre insaturado o suficiente para ser plástico e se prestar à vários aprendizados e ter vários usos. O analista que trabalha apoiado em teorias acaba se enganando, pois elas são fac-símiles incompletos da realidade. O modelo não tem esse objetivo, e portanto, não pode ser comparado com a realidade, mas sim ser  útil ou inútil em uma situação da vida, inclusive clínica.

E você usa algum modelo na prática clínica ou na vida? Deixe seu comentário e vamos discutir juntos! 

 

 

¹Psicanalista, professor, escritor e diretor da Escola Paulista de Psicanálise-EPP e do Instituto Melanie Klein-IMK. Autor do Livro "A pobreza do Analista e outros trabalhos 1997-2015" e organizador da Coleção Transformações & Invariâncias.

 

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